25 DE MAIO

Seminário organizado pelo Instituto de Ciências Sociais convida pesquisadoras do país. Restaurante Universitário ofereceu cardápio típico da região

 


Clementina Furtado, pesquisadora da Universidade de Cabo Verde, trouxe depoimentos sobre vida e gênero no país africano. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

 

Em 25 de maio é comemorado o Dia da África. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, em reconhecimento à união e à solidariedade dos povos africanos em prol da libertação do continente do colonialismo. Para homenagear a data e lembrar os temas que mobilizam esses povos na atualidade, o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da UnB convidou pesquisadoras de Cabo Verde para falar sobre migração e conflitos de gênero.

 

“Nosso laço de pesquisa com Cabo Verde existe há alguns anos. Ter a presença de acadêmicas africanas de destaque em suas áreas conosco no Dia da África é uma satisfação, além de uma oportunidade de mostrar o que já vem sendo desenvolvido no âmbito da nossa unidade acadêmica”, disse a professora do Departamento de Antropologia (DAN) Juliana Braz Dias, uma das coordenadoras do Laboratório de Etnologia em Contextos Africanos (Ecoa), à frente da organização do evento.

 

Cabo Verde tem uma população de pouco mais de 500 mil habitantes. Quase metade é composta por migrantes. O fenômeno foi comentado pela pesquisadora da Universidade de Cabo Verde Clementina Furtado. Na mesa sobre Mulheres, fluxos e cultura popular, ela citou o casamento de mulheres locais com homens estrangeiros, em especial os do continente – já que o país é um arquipélago integrado à África.

 

“Nossas leis migratórias são severas e esses casamentos muitas vezes são alternativas à obtenção da cidadania”, explica. Mais da metade da população de Santiago, a principal ilha de Cabo Verde, é composta por mulheres. “Muitas se casam com contrapartida financeira, em especial com homens muçulmanos de países como Nigéria e Senegal”, acrescenta.

 

No entanto, o preconceito contra essas mulheres e seus filhos é grande, uma vez que a religião predominante da ilha é o catolicismo. “E uma vez que se casam com muçulmanos, caso haja a separação e a pretensão de um novo casamento, essas mulheres são desprezadas pelos homens locais”, relata. 


"Quando cheguei em Cabo Verde, me perguntavam sobre o Brasil que viam na televisão", conta o mestrando Vinícius Venâncio sobre sua experiência de campo. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

 

FLUXOS DE COMÉRCIO – Além das questões culturais, a atividade econômica ligada ao gênero no país foi tema de debate. O mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social Vinícius Venâncio trouxe o relato de seu trabalho de campo em São Vicente.

 

Dos cerca de 6.500 comerciantes do arquipélago, mais de 5 mil são mulheres, que desempenham atividades de alguma forma relacionadas à migração. “Muitas comerciantes – ou rabidantes – começam seus negócios porque uma parente que está morando fora tem condições de mandar os primeiros produtos”, relata.

 

Na televisão, o país importa muitos programas brasileiros, como novelas, o que acaba impactando no comércio de produtos. “As rabidantes cabo-verdianas, conhecidas popularmente no Brasil como sacoleiras, remetem ao tempo de opulência econômica que marcou o governo Lula. Nessa época, havia um voo direto entre Fortaleza e Cabo Verde e algumas comerciantes vinham quatro vezes ao mês em busca dos nossos produtos nacionais”, conta Venâncio.

 

Itens como os usados pelas atrizes brasileiras estão entre os mais buscados. “A moda é, de fato, um assunto público e um meio de manifestação de cultura. Cabo Verde não é exceção. A vestimenta é parte constitutiva, inclusive, da identidade de gênero da sociedade”, complementa o professor do DAN Wilson Trajano Filho, sobre a importância desta influência. 

 

OSeminário Internacional Performances de Gênero em Cabo Verde se encerra neste sábado (26) com a apresentação do filme Canhão de Boca, em restaurante de propriedade de imigrantes africanos, na 412 Sul. Veja na programação.

 

OUTROS EVENTOS – O Restaurante Universitário (RU) ofertou a seus usuários um cardápio especial nesta sexta-feira. A Cachupa Rica, prato principal, é de origem cabo-verdiana e leva itens como milho, legumes, carnes de vaca, porco e frango, tradicionalmente. 

 

Neste Dia da África também foi lançado o portal Geoafro, de iniciativa do professor do Departamento de Geografia (GEA) Rafael Sanzio. O site sistematiza conteúdos produzidos pelo Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (Ciga) da UnB. No endereço é possível acessar trabalhos acadêmicos, fotografias e outros conteúdos diretamente ligados à temática.

 

 

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